quinta-feira, 8 de abril de 2010

Graffiti Poético


O que há em comum entre a ponta da caneta esferográfica e o bico da lata de tinta de um spray?
Esta é a pergunta que inicia o editorial do segundo número da Revista Grafiiti Poético, lançada no mês de fevereiro, no Sesc Santo André, pelo coletivo 5 Zonas ( grupo formado por cinco artistas da cena do graffiti arte paulistano -Credo, Eve14, Hope, Sow, e Tota).
E eles respondem: “...Tudo! Uma e outra são instrumentos para externarmos nossas ideias: palavras se sucedem no papel, formando versos, expressando pensamentos, reflexões, traços e cores se amoldam na parede, formando imagens, dando forma concreta ao grito que ecoa nos olhares de cada passante pelas ruas da cidade. Graffiti é poesia. Poesia é Graffiti....”
A poesia que abre a revista “Tudo o que eu preciso” é de Rappin Hood, famoso rosto do movimento hip hop, que esteve no Sesc durante o evento de lançamento.
Na maioria das páginas, cada poesia vem acompanhada de um grafite e, ao final há uma bela exposição de fotografias de grafites espalhado por São Paulo, incluindo cidades da região do ABCD: São Bernardo, São Caetano, Mauá e Diadema e também divulgação de eventos sobre o tema.
A revista é realmente muito bonita. São 42 páginas elaboradas por um projeto gráfico muito bem feito.
Ganha a poesia, ganha o grafite e ganha a imprensa alternativa.
Para adquirir a publicação e conhecer mais sobre este interessante projeto acesse:
www.graffitipoetico.com.br

terça-feira, 2 de março de 2010

Segundo Encontro de Zineiros - 06/03/2010


No próximo sábado, 06 de março, às 14h, a loja Combat Rock promove o Segundo Encontro de Zineiros (as). A idéia é dar continuidade aos encontros e discutir soluções para manter o zine impresso circulando no Brasil.
O evento é aberto para venda e troca de zines e participação no debate.
A Combat Rock Discos fica na - Barão de Itapetininga,37 - Galeria Nova Barão, loja 66R, República, São Paulo.
Divulguem! Compareçam!
Estarei lá com alguns exemplares do livro.
Até lá...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Muito tempo depois...Mauá U.P.M Zine



“Antes de falar desta edição de 7 anos de fanzine, gostaria de agradecer a paciência e ao mesmo tempo pedir desculpas às bandas e leitores pela demora no lançamento desta edição...”

Faço minhas as palavras do Bertz e assim alivio um pouco o peso na minha consciência e me sinto mais a vontade para voltar a postar. Como vcs fazineiros sabem, nós somos assim, nem sempre obedecemos a regras e periodicidade, também por isso somos chamados alternativos. Nada mais comum do que este tipo de desculpas nos editoriais das publicações que encontro por aí. Desculpem-me pela ausência esticada, prometo voltar à ativa.


A justificativa que usei acima é de Bertz, editor do Mauá U.P.M (Unidos Pelo Metal). Ele segue o editorial justificando que sua vida anda atribulada por conta da faculdade de geografia e do trabalho como professor da rede estadual. Bertz enfatiza que é persistente e por isso chegou longe nos estudos e no zine, que completa agora 7 anos. Aproveito para dar os parabéns, nem todos os zineiros suportam as dificuldades por tanto tempo.
A versão, 40ª edição, é de 2009 e me chegou as mãos por uma outra zineira, a Tina Curtis do Spell Work, já citada aqui.
O fanzine é todo em preto e branco, tem 16 páginas preenchidas com muito texto, entre releases de várias bandas e lançamento de seus demos e CDs, sempre com algum comentário do editor; há ainda divulgação de festivais de metal. Na seção “fanzines” estão listados 5 diferentes zines espalhados pelo Brasil e duas páginas dão conta da interessante entrevista com a banda do cenário underground paulista Souder, que com 3 anos de existência esteve entre as 3 primeiras bandas eleitas na revelação nacional de 2008 pelos leitores da Revista Rodie Crew.
O Mauá U.P.M. pode ser encontrado no myspace – www.mypace.com/mauaupm
E o contato do Bertz é: bertz_leucocitos@yahoo.com.br

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Curso de Jornalismo Popular e Alternativo

A falta de tempo para elaborar um texto bacana me obrigar a dar um Control C / ControV e divulgar aqui um curso até então desconhecido por mim, que pode interessar os independentes frequentadores deste blog. Curso de jornalismo Popular e alternativo na ECA - Usp que será transmitido pela TV Cronópios.
A matéria foi retirada do site : http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=4288
e o autor do texto é: Egle Müller Spinelli
A TV Cronópios, em parceria com o Grupo de Jornalismo Popular e Alternativo (ALTERJOR) irá transmitir ao vivo o I Curso Gratuito de Difusão Cultural em Jornalismo Popular e Alternativo. O evento ocorre na Escola de Comunicações e Artes (ECA), na Universidade de São Paulo (USP), de 07 a 11 de dezembro de 2009, das 14h às 18h. O objetivo do curso é contribuir para a sedimentação da temática do jornalismo popular e alternativo na pesquisa social, além da formação de profissionais capacitados para atuar no campo do jornalismo popular alternativo.
O ALTERJOR é grupo de pesquisa que reúne professores, pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais que se interessem em desenvolver estudos e pesquisas em jornalismo popular e alternativo. O grupo é sediado no Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA/USP.
Define-se por jornalismo popular as práticas jornalísticas realizadas em organizações do movimento social e popular, incluindo o chamado Terceiro Setor, que tenham como objetivo central o fortalecimento institucional de tais organizações, a socialização de temáticas que envolvam a defesa da cidadania e que defendam o protagonismo de segmentos sociais não hegemônicos. Por jornalismo alternativo, define-se as experiências de jornalismo nas diversas mídias que tenham como objetivo central fomentar o debate público sobre as mesmas temáticas delimitadas na definição de jornalismo popular.
O curso é gratuito e serão oferecidas 50 vagas. Segue informações quanto as inscrições dos candidato:

Inscrições: 09 a 19 de novembro de 2009, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 16h.
Local: Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues 443, prédio 1, Cidade Universitária.
Procedimentos de Inscrição: As inscrições serão recebidas pessoalmente ou por procuração, mediante cópia de CIC, RG, comprovante de escolaridade (graduando ou graduado), Curriculum Vitae e preenchimento de ficha de inscrição, a ser fornecida no ato da inscrição. Não serão aceitas inscrições por fax ou e-mail.
Critérios de Seleção: Serão previamente selecionados para o curso 50 alunos do total dos inscritos por meio de análise de currículo, com cópia a ser entregue no ato de inscrição, anexa aos documentos exigidos, com o resultado sendo divulgado no dia 27 de novembro de 2009, no Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA-USP.
Público Alvo: graduados e graduandos em Jornalismo e demais áreas de Ciências Humanas.
Informações: 3091-4058, com Paulo ou Tânia - pcbontempi@usp.br.
Apoio Institucional: PRCEU-USP (Pró-reitoria de Cultura e Extensão Universitária)
Apoio: TV CRONÓPIOS
Coordenadores responsáveis: Prof. Dr. Dennis de Oliveira e Prof. Dr. Luciano Maluly
Carga Horária: 20 h/a - presencial.

Programação
Segunda-feira (7 de dezembro de 2009)– Abertura / Palestra
13 horas - Abertura e apresentação dos participantes
14 horas – Palestra - Conceitos de jornalismo popular e alternativo
Coordenadora: Profa. Dra. Egle Müller Spinelli (jornalista, pesquisadora e professora da UAM)
Palestrantes: Prof. Dr. Dennis de Oliveira (USP) e Prof. Dr. Luciano Maluly (USP)

Terça-feira (8 de dezembro de 2009)
14 horas – Jornalismo, política e fatos históricos
14h-15h - Retratos do jornalismo e da política
Prof. Ms. Eduardo Grossi (jornalista, pesquisador e professor da Umesp)
15h15-16h15 - Experiências históricas do jornalismo alternativo
Eliza Bachega Casadei (jornalista, pesquisadora e mestranda ECA-USP)
16h30-17h30 - Retórica e vanguarda política no jornalismo alternativo
Rafael Duarte Oliveira Venancio (jornalista, pesquisador e mestrando ECA-USP)

Quarta-feira (9 de dezembro de 2009)
14 horas – Jornalismo alternativo e diversidade
14h-15h - Comunicação alternativa e diversidade cultural no Brasil
Prof. Dr. Wilton Garcia (pesquisador, pós-doutor em Multimeios IA-Unicamp e professor da UBC)
15h15-16h15 - Repórter Eros
Prof. Dr. Valmir Costa (jornalista, pesquisador e professor da UniNove)
16h30-17h30 - Jornalismo popular e movimentos sociais
Profa. Ms. Anna Flávia Feldmann (jornalista e pesquisadora Alterjor)

Quinta-feira (10de dezembro de 2009)
14 horas – Rádios alternativas no Brasil
14h-15h - A radiorreportagem e a cultura do ouvir
Prof. Marcelo Cardoso (jornalista, pesquisador, professor Unisa e mestrando Cásper Líbero)
15h15-16h15 - Novas ondas – o rádio como meio de mobilização política
Guilherme J. P. H. e Oliveira (jornalista, pesquisador e mestrando ECA-USP)
16h30-17h30 - Direito, liberdade de expressão e rádios comunitárias
Prof. Ms. Eduardo Ariente (advogado, pesquisador e professor convidado da USP)

Sexta-feira (11 de dezembro de 2009)
14 horas – Um outro olhar
13h-14h - O jornalismo nas organizações
Prof. Ms. Sueli Regina Lafratta (jornalista, pesquisadora e professora da Uniban)
14h15-15h15 - O poder da imagem: reflexões sobre fotografia e documentário
Vinicius G. P. Souza (jornalista, pesquisador, fotógrafo, mestrando Unip e professor convidado Unisa)
15h30-16h30 - O jornalismo audiovisual como informação alternativa
Profa. Dra. Luiza Lusvarghi (jornalista, pesquisadora, pós-doutora pela UFPE e professora da UniNove)
16h45-17h45 –A mídia independente no Brasil
Luiza Caires (jornalista da USP, pesquisador e mestranda em Ciências da Comunicação ECA)
18 horas – Encerramento do Curso de Difusão Cultural em Jornalismo Popular e Alternativo

Acompanhe o curso pela Internet na TV Cronopios: http://www.cronopios.com.br

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Num envelope pardo mais um zine - Spell Work

Fico entusiasmada cada vez que recebo um fanzine pelo correio. Funciona como um combustível para essa minha pesquisa sem fim, é a certeza concreta de que eles estão aí, resistindo e se adequando aos meios digitais.
Esta semana o carteiro me trouxe num envelope pardo uma simpática cartinha (escrita a mão), a edição comemorativa nº6 do zine Spell Work e de “brinde” uma publicação alternativa de Recife, que divulgou o SW. O pacote foi enviado por Thina Curtis, arte-educadora de Santo André, a editora do zine.
Na publicação de Recife -Bio Eletric- uma importante citação sobre o trabalho feito em Santo André:
“O fanzine Speel Work se tornou respeitado em todo o mundo através do empenho da equipe envolvida, além dos inúmeros colaboradores.”

A equipe é formada por três pessoas Edson F., de São Bernardo, Marian Schwarz, de Guarulhos e a Thina.
O trabalho é realmente muito bacana e bem feito. Assina a capa Igor Villa, na abertura um breve histórico sobre o escritor e poeta russo Vladimir Maiakovski.
“Amar não é aceitar tudo;
Aliás, onde tudo é aceito,
Desconfio que há falta de amor”

Recheiam as 40 páginas entrevistas e matérias com bandas do cenário independente; divulgação de espaços voltados à cultura underground pelo mundo, como o Small Music Theatre, na Grécia; lançamentos musicais; matérias sobre HQ; indicação de espaços culturais e cursos; um conto escrito por Edson F.; poesias e até uma matéria enviada por um correspondente na Alemanha.
Gosto dos textos e resenhas dessas publicações, mas me encanto, sobretudo, com os editorias, eles dizem muito sobre a intenção e definem a cara da publicação. Assemelham-se em muitos pontos. No início explicações sobre o tempo de “ostracismo” e a falta de espaço:
Algum tempo depois em zine city...
Após um longo e tenebroso período de hibernação e reclusão dos fanzines, cá estamos nós! Com muita coisa para se comentar e infelizmente pouco espaço, para variar...!(...)

Pra finalizar, citam as dificuldades e injetam ânimo nos leitores:
Apesar de todos os obstáculos e dificuldades, estamos aqui mais uma vez divulgando essas nossas artes marginais, nossa subcultura, que cada vez mais rompem fronteiras e provam que são mais que um estilo urbano e uma arte obscura de periferia.
Espero que vocês curtam bastante esta edição e continuem enviando material, fazendo críticas, comentando e se desconectando de uma cultura massificada hipócrita e vazia.

Está aí, isto é um pouco do Spell Work e como citou Thina na cartinha:
Eternidade aos Fanzines!
Visitem o site para conhecer melhor o trabalho dessa galera e enviar material para divulgação: http://spellwork.wordpress.com/
Abraços à toda equipe do SW!!!
Aguardamos a próxima edição.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Entrevista com dois fanzineiros

Resolvi publicar uma pequena entrevista com dois importantes fazineiros do ABC já apresentados aqui: Cláudio Feldman, que por 14 anos editou o alternativo Jornal da Taturana e Renato Donisete, jovem que edita há 18 anos o zine Aviso Final.
Em meio há tantas publicações que surgem, tantas que acabam e outras tantas que migram para a internet, eles falam sobre as motivações e dificuldades de produzir um alternativo, em diferentes épocas, e são até otimistas quanto ao futuro desta imprensa.

EU: Porque criar uma publicação alternativa?
Cláudio Feldman: Criar uma publicação alternativa, no fim dos anos 70, era uma opção válida, já que a grande imprensa ignorava os talentos emergentes e a censura,embora enfraquecida pela Abertura, ainda atuava,embora de modo mais sutil.

Renato Donisete: Na época, em 1990, queria divulgar coisas e escrever sobre assuntos que não via em lugar nenhum, por isso fui à luta e produzi um fanzine.

EU: Como era fazer um veículo alternativo há 18 anos, como é ou como seria fazer este veículo hoje? Existe ainda a mesma motivação?
CF: Fazer um veículo alternativo há l8 anos era algo heróico,que exigia sangue,suor, lágrimas e dinheiro,embora algo prazeroso. Hoje em dia, atrai bem poucos,devido ao alto custo da impressão e do relativo desinteresse do público.

RD: A motivação, por incrível que pareça, é a mesma!!! Tanto é que continuo a editar o zine. Ainda fico ansioso quando vou na gráfica pegar a nova edição. No começo era muito difícil e muitas pessoas me ajudaram (por ex.: meu cunhado xerocava os zines na multinacional que trabalhava). Hoje temos mais facilidades, tanto de impressão quanto de divulgação.

EU: A imprensa alternativa está acabando?
CF:
A imprensa alternativa não está acabando, apenas mudou de mídia: foi para a Internet.

RD: Acredito que não. Tenho recebido muito material do Brasil inteiro, e o mais legal: trabalhos de muita qualidade.

EU: Você criaria um veículo alternativo hoje? Como seria?
CF: Eu não criaria um veículo alternativo, hoje,por cansaço da idade (65 anos),porém já fiz a minha parte e deixo o futuro aos mais jovens.

RD: Continuo criando há quase 20 anos....

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Mais um

Este blog está começando a cumprir a missão de divulgar e coletar outros alternativos que, por falta de tempo, espaço, ou por serem posteriores a publicação, não entraram no livro. Na pesquisa citei apenas veículos das cidades do ABC: Santo André, São Bernardo e São Caetano. Porém, é certo que nos demais municípios que compõem a chamada Grande ABC: Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Diadema e Mauá, há muita coisa bacana. Agora há espaço para todos eles, que venham!


Recebi do escritor e poeta de Mauá, Edson Bueno, o jornal Taba de Corumbê.
Fruto de remanescentes de uma oficina literária, o fanzine é mais um representante da imprensa alternativa que surge como espaço para a veiculação de textos de um grupo de escritores. Chamo a atenção para dois detalhes: O primeiro é o nome do zine, que merece uma digna explicação (segue um trecho retirado do editorial da edição número 2); outro é para a constante aparição de animais como mascotes dos alternativos da região: Cigarra, Taturana, Sagui e agora, Tartaruga. Fato no mínimo curioso.
O nome do grupo veio de uma publicação em forma de fanzine: Taba de Corumbê realizada ainda na oficina, mas já com o embrião do grupo.
Taba pela reunião de pessoas, a aldeia por extensão a cidade: a partir do qual, o guerreiros da Taba, como os mais jovens se auto referenciam. Corumbê é o nome de um córrego que atravessa de ponta a ponta um dos bairros mais populosos da cidade: o jardim Zaíra, primeiro como justa homenagem aos seus moradores, e depois por uma questão de sincronidade, porque descobrimos posteriormente que combure é a corruptela de Karumbê, que significa tartaruga em língua franca ou nhegatú que era a língua que se falava em SP antes da intervenção do Marques de Pombal e a imposição do português como língua oficial"

Segundo nos conta Edson Bueno, o zine até agora teve dois números, com um intervalo bem grande, o primeiro em 2003, e o segundo em 2007. Foram distribuídos de mão em mão, o primeiro com uma tiragem de cerca de 800 exemplares. Já no segundo, um aparente ânimo motivou a impressão de 3 mil exemplares. Ainda segundo o poeta mauaense, o grupo sonha com a publicação do número 3.
Espero que se torne realidade e dê logo as caras por aqui!