segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Umbigo Pandamo


Eis aqui mais um registro de zine literário produzido no ABC. Tenho em mãos o terceiro número do Umbigo Pandamo (o espaço está aberto para a que os editores possam nos explicar a origem do curioso nome). A criação é de responsabilidade dos “estudiosos, pesquisadores e aprendizes, no campo da poesia (como eles se apresentam), José Carlos de Farias e Gerber de Sá.
O Umbigo Pandamo está no Ano II e a edição que tenho é de setembro deste ano, daí a constatação de que não há periodicidade, qualquer semelhança com as demais publicações alternativas não é mera coincidência.
Muito simpático, o fanzine composto por três folhas de papel sulfite A4 dobradas traz uma seleção de textos de diferentes estilos, como Manuel de Barros, Roberto Piva, Ana Rosa de Sharon, Jorge de Barros, um espaço especial dedicado ao poeta Ezra Pound e textos dos próprios editores. Como não poderia faltar uma HQ ilustra a última página, o autor é Lexy HQ.
Na capa o texto de Drummond convida a leitura: “Chega mais perto e contempla as palavras. Cada um tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível que lhes deres: Trouxeste a chave?”

Para solicitar um exemplar ou enviar produções o contato é gdwisa@yahoo.com.br ou palavril_brasil@yahoo.com.br

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Divulgação: CENTRAL ZINE

Reproduzo na íntegra um email recebido:

Olá amig@s!

Em tempos de redescoberta dos FANZINES (fanatic magazines), não conseguimos resistir a tantos bons estímulos e aqui estamos para propor algumas ações.

A primeira delas é a CENTRAL ZINE. Pretende ser uma "fanzineteca itinerante", em princípio instalada numa mala de viagem, que visitará e se alojará temporariamente em distintos espaços para propagar informações das mais variadas temáticas, formas e formatos criativos, técnicas e recriações possíveis.

Já o Expo Zine e Mídias Alternativas é um encontro que deseja ocupar diferentes estabelecimentos culturais e, através de trocas de ideias e de materiais, oficinas práticas, intervenções, mostra de itens comunicativos, difundir o universo das produções e dos produtores independentes. Ocorreu algumas vezes no espaço ARCA em Ribeirão Pires e agora deseja circular. Estamos organizando 2 datas para dezembro de 2010, em São Paulo e em Santo André, e algo mais elaborado para os primeiros meses do próximo ano.

Para participar da / colaborar com a iniciativa faça contato, compartilhe sugestões e experiências, mande materiais afins e apareça nas atividades.

Endereços para envio de obras:
Biblioteca do CEU 3 Pontes (até 13 de dezembro de 2010)
Rua Capachós, 400, Jardim Célia / Jardim Romano, São Paulo, SP
CEP 08191 330
OFICINATIVA (permanente)
Caixa Postal 73, Ribeirão Pires, SP
CEP 09400 970
Abraços
Carlos Rogerio
www.oficinativa.blogspot.com

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Kaderno Bomba Zino


Estava eu me deliciando com a leitura do “Kaderno Bomba zino” - edição nº O (sou fascinada por essas edições de estreia), que me chegou às mãos por Renato Donisete, zineiro sempre preocupado em abastecer meu arquivo, quando me deparei com um texto sobre meu livro. Ah, fiquei tão feliz! Duplamente feliz, tanto por conhecer esta nova publicação e comprovar mais uma vez a resistência da imprensa alternativa, como por ler o texto que se refere ao livro como “obra essencial”.
A edição que tenho em mãos é de abril deste ano, em formato de bolso, com capa de cartolina, letras que parecem datilografadas por uma máquina de escrever, tudo muito bem feito por um projeto gráfico simples, interessante e adequado ao zine.
O Kaderno Bomba é de Itapevi (SP), de inteira responsabilidade de Job Fernando (The Katz). Aqui transcrevo trechos do editorial de apresentação: “Como qualquer caderno afim, este explosivo artefato de papel deve trazer em suas páginas alguns registros produzidos de forma pessoal e independente acerca de artes (...) E que fique claro que jovens de periferia também se interessam e produzem arte: expressão sincera e fora de esquema”.

Além da menção ao livro, o fanzine aborda outros assuntos da nossa região: há uma interessante resenha sobre o documentário de curta metragem Rota ABC, dirigido por Francisco César Filho e uma nota sobre o zine SubSolo – Ruas do ABC ( já citado neste blog). Recheiam as demais páginas, são 20, outros temas culturais do universo underground e a última é ilustrada por um “desenho desanimado” também feito por Katz.
Publicações como essa deixam claro o poder de circulação que tem este tipo de imprensa, nada fica restrito ao berço. É sempre bom saber que o que fazemos aqui no ABC interessa a outras regiões. Aproveito para registrar que o livro, por exemplo, já foi procurado por moradores do Rio de Janeiro e do Ceará.
O “terrorista” Job Fernando pode ser encontrado pelo email: kartabombazino@yahoo.com.br ou, como preferem os alternativos, Caixa Postal : 028 – CEP 06653-970 – Itapevi SP.
Gostaria de saber quantas outras edições já foram publicadas, será o que editor do zine vai deixar um comentário esclarecendo a dúvida?

Obrigada, Job!
Obrigada mais uma vez, Renato!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Vestindo Outubros Pocket Zine



Recebi mais um daqueles deliciosos emails “Gostaria de adquirir um livro seu”, desta vez da zineira Letícia Mendonça.
Moradora de São Bernardo do Campo, Letícia , que também é professora e mantém um ateliê de Literatura e Criatividade (o Letra Corrida), edita o Vestindo Outubros Pocket Zine que está na 2ª edição - uma publicação conjunta dos blogs Vestindo Letras e Cinco de Outubro (de Letícia Mendonça e Fernanda de Aragão, respectivamente).
O zine de bolso tem distribuição gratuita, é feito em folha de sulfite e xerocado. O primeiro número saiu em maio de 2009 e o segundo em maio de 2010, ambos com tiragem de 200 exemplares.
Em sua primeira edição, o zine apresentou reflexões resumidas sobre os rumos da literatura no meio digital. Em pequenos textos (são três em uma única folha, fora os desenhos e poemas) as autoras alertaram para o uso que se pode fazer da internet afim de disponibilizar os originais na rede, em relação ao ineditismo exigido pelas editoras, prêmios e concursos. Nesta edição questionaram também a acessibilidade e o barateamento de custos para que grandes nomes da literatura cheguem a pontos distantes e de difícil acesso.
Os textos da segunda edição giram em torno de um apelo para uma “escrita e leitura acessíveis a todos, longe dos academicismos e das críticas literárias que insistem em classificar os textos em isso e aquilo”.
O Zine Vestindo Outubros conta também com uma parte de criação literária para divulgação de pequenas crônicas e poemas.

A editora promete:
“E vem aí a terceira edição. Logo, logo.”

Está apresentado o “Vestindo Outubros”!

Para conhecer melhor o trabalho das zineiras Letícia e Fernanda, acessem os links:
www.vestindoletras.blogspot.com
www.diz-quetes.blogspot.com

www.jornalirismo.com.br

Até a próxima postagem! Abraços

sábado, 17 de julho de 2010

I Anuário de fanzines, zines e publicações alternativas


É com grande satisfação que divulgo aqui a iniciativa do UGRA PRESS (um projeto de produção, fomentação e disseminação de cultura alternativa) a elaboração do I Anuário de fanzines, zines e publicações alternativas.

Como pesquisadora e amante desta imprensa, não poderia deixar de noticiar este que considero um importantíssimo trabalho de resgate destas publicações underground espalhadas mundo a fora.
O projeto aposta na época atual, a qual considera de ressurgimento: “Passada a euforia das novas possibilidades, percebe-se hoje um novo interesse pela produção impressa alternativa. É um ressurgimento ainda tímido, mas que demonstra potencial.”
Para que muitas dessas publicações não passem despercebidas e não se percam no correr da história, o UGRA PRESS propõem a publicação de um Anuário, com lançamento previsto para janeiro de 2011.
O objetivo é fazer do material produzido um canal de referência para editores e leitores, além de ser uma tentativa de entender qual é o perfil da produção atual e o que apresenta de diferente em relação aos “anos dourados” da imprensa underground.

Quem pode participar: O Anuário pretende cobrir a produção de fanzines, zines e publicações alternativas em toda sua abrangência. Não existem restrições temáticas, com exceção dos boletins religiosos ou partidários, que serão ignorados. Publicações experimentais e autorais são mais do que bem vindas.

Como participar: Para incluir uma publicação no anuário, o editor deve preencher uma ficha e enviá-la junto com uma cópia física de sua publicação. As publicações devem ser enviadas até 26 de novembro de 2010.

Para mais informações e incrições, acesse: http://ugrapress.wordpress.com/anuario-de-fanzines/#comment-83
Contato: ugra.press@gmail.com

IV Encontro de Zineiros em SCS



No dia 07 de agosto, sábado, ás 23h, acontece mais um Encontro de Zineiros, desta vez em São Caetano do Sul, no Espaço Cidadão do Mundo, localizado na Rua Rio Grande do Sul.
Na oportunidade Renato Donisete dá sequência às comemorações dos 20 anos do seu zine Aviso Final. Um dos destaques do evento é o lançamento do CD da banda Esquesitosomos, entre as outras atrações estão: apresentação da banda Superação punk-rocker e Overlife INC e participação do Grafiteiro Daniel Melin.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Um jornal de bairro no meio dos alternativos



Os chamados "jornais de bairro" não integram minha pesquisa, pois sobre eles já há um trabalho específico e também por apresentarem características e motivações diferentes das dos alternativos. Porém em alguns momentos eles se assemelham, alguns jornais de bairro surgem como imprensa alternativa e algumas publicações alternativas acabam virando jornais de bairro.
Neste caso as histórias se misturam, o Imprensa que noticiava os acontecimentos de Utinga,em Santo André, nasceu em outubro de 1997 com a pretensão de ser mais um jornal de bairro, mas acabou incomodando autoridades locais por conta de denúncias e, assim como muitos alternativos, teve vida curta. Durou sete números a empreitada do futuro jornalista, Adilson Thieghi, um apaixonado por Utinga, que já na 1ª edição publicou boa parte da história do bairro. A publicação se sustentava com anúncios de comerciantes do entorno, tinha uma tiragem de 5 mil exemplares e, é claro, não foi um negócio rentável.
O Imprensa claramente foi o embrião do jornal Cara de Pau (história detalhada no livro), pois, apesar de ser um veículo sério,o editor já demonstrava em algumas passagens indícios da sua facilidade para utilizar a sátira, que seria mais tarde absorvida pelo jornal de humor. Com a palavra o próprio editor: “O imprensa era um acúmulo de ingenuidades; de que se é possível fazer jornalismo só com boas intenções e nenhum dinheiro, de que se podia fotografar alguma coisa com uma antiga câmera amadora, de que alguém pode ser jornalista, fotógrafo, diagramador, crítico de cinema e publicitário ao mesmo tempo e, principalmente, de que se é possível ser sócio da sua noiva e ainda manter a sociedade depois que o relacionamento acaba. Parte dessa ingenuidade passava para as matérias também, que eram bem tolinhas. Mas, por outro lado, quando tudo deu errado eu vi que meu negócio era mesmo rir da própria desgraça e fiz o Cara de Pau”.

Este é só mais um mais um pequeno registro, a história toda possivelmente estará em um próximo livro. O Imprensa é mais uma prova, entre outras detalhadas na pesquisa, de que há muito da história de uma região nas páginas destas publicações, mas elas são relegadas ao esquecimento e não recebem o devido valor.